quarta-feira, dezembro 28, 2005

Feliz Ano Novo!


Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905), "O António Maria", 5 de Janeiro de 1882, página 8.

sábado, dezembro 17, 2005

Boas Festas! Boas Férias!

Mob, 2005
© Gary Hume
Photo: David Lambert and Rod Tidnam


Novidades (em 21/12): "Animais Medievais", no portal "aeiou" do Ministério Federal para a Educação, Ciência e Cultura (BMBWK), da Áustria. Incluí-os em "Imagens", logo a seguir a "Arte Fantástica", e em "Recursos", onde o portal "aeiou" aparece sob a designação "Álbuns Austríacos", onde encontrarão imagens, trechos musicais, motores de busca e "links".
Mais uma revista "online" (em 22/12) foi acrescentada a "Imprensa": Frieze. Época de balanços, traduzida na imprensa por "tops", "best of" e "picks": vejam a selecção da "ArtForum" e da "Frieze", por exemplo. Estas hierarquias servem o comércio e estabelecem críticos como "opinion makers": para nós, que não somos críticos, galeristas, nem comerciantes fazedores de colecções privadas, traçam tendências e fornecem material de estudo e reflexão. Pendurados sobre a fronteira de um novo ano - a contar de Cristo. Natal.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Últimas notícias: a pintura do século XV

Piero della Francesca, Anunciação

◊ Os links têm estado sempre a mudar (de lugar, de nome, de página...): vão experimentando.

Hoje há um novo: "O Mundo Moderno", em "Recursos" - História geral, digamos assim, oferecendo textos e outros instrumentos básicos de aprendizagem. Vale a pena explorar: para além da Civilização Moderna, a Medieval, a Antiga, as Mulheres, a Ciência...

Mais dois (em 14 de Dezembro), também no grupo "Recursos": "Columbia University: Projectos" e "Masterpieces of Western Art", ambos do Departamento de História da Arte e Arqueologia da Universidade de Columbia (E. U. A.). E um outro "link" novo, em "Imprensa": a revista italiana de design e arquitectura, "Interni".

Outros três (em 15 de Dezembro): "Història de l'Arquitectura", "Glossary of Architectural Terms", "Vitruvio: Arquitectura", respectivamente em "Recursos", "Glossários" e "Imagens".

No dia 16 de Dezembro foi acrescentada a página da Polícia Judiciária onde se divulgam obras de arte furtadas. Se conhecem alguém na posse de alguma(s), telefonem para a P. J.

◊ Alguns artistas, como Masaccio ou Piero della Francesca, têm "sites" que lhes são inteiramente dedicados.

Alguns textos, como as biografias de artistas do pintor e arquitecto Giorgio Vasari também.

◊ Algumas exposições, ainda de portas abertas:

Fra Angelico, no Met, onde também ainda é visitável uma exposição sobre armaduras equestres (1480-1620), com muita informação "online", e uma outra sobre Antonello da Messina, com muito pouca.

Os retratos de Hans Memling, na Frick Collection, em Nova Iorque.

Uma panorâmica sobre a melancolia como território alargado, da Antiguidade ao Século XX, da Filosofia à Psiquiatria, em
"Mélancolie. Génie et folie en Occident", no Grand Palais, em Paris. Pequenas apresentações de cada secção com uma selecção de imagens e respectivas identificações (o link teve de ser substituído, porque, acabada a exposição, o que remetia para o "site" do Grand Palais deixou de funcionar...).

terça-feira, dezembro 06, 2005

Nova visualidade, nova civilização

Vittore Carpaccio (1472 - 1526), Vida de Sta. Ursula: a chegada dos embaixadores ingleses, 1495-1500, Gallerie dell'Accademia, Veneza.

RAÍZES DA VEROSIMILHANÇA:
NOVA CULTURA recupera o mundo material (espaço de conquista e prazer, criatura de deus).

NOVA SOCIEDADE que não se revê no Gótico Final aristocrático: rompe com o passado recente e procura legitimidade na cultura greco-romana.

Nova cultura visual MATERIALIZA um mundo VEROSÍMIL que DÁ A VER - testemunho (religioso e laico), sonho, propaganda.

Insinuam-se desejos (verosimilhança, registo do efémero e do distante, inclusão do observador) que fundarão a fotografia, o cinema, a realidade virtual electrónica.


PERSPECTIVA LINEAR:
ESPAÇO VEROSÍMIL e COERENTE com a experiência visual quotidiana do observador (tridimensionalidade, ponto de vista único).

CONTÍNUO e INFINITO (não é delimitado e não se vê o seu fim): atravessa o suporte da imagem, unindo o cá e o lá da representação e continuando, teoricamente, para lá do campo de visão representado (em semente: a imagem representada é fragmento).

ÚNICO e IGUAL em todos os pontos.

VAZIO.

ABSTRACTO e MENSURÁVEL.

RELATIVO ao observador (a um momento de observação).


PERSPECTIVA E CIVILIZAÇÃO:
Início de uma GLOBALIZAÇÃO europocêntrica, CENTRALIZAÇÃO do poder político: um ponto organiza o espaço, todo igual perante ele.

OBJECTIVIDADE da CIÊNCIA e SUBJECTIVIDADE do INDIVIDUALISMO: regras matemáticas e arbitrariedade na escolha do ponto de vista.

MEDIR: da contabilidade comercial do Capitalismo à Ciência.

MUDANÇA: as aparências da experiêncial visual contingente substituem as essências imutáveis com lugar definido na organização do mundo; um espaço vazio e abstracto substitui um conjunto de lugares próprios.

LIBERDADE e CONQUISTA (domínio, humanização do mundo) num mundo novo em EXPANSÃO: espaço VAZIO, ÚNICO, CONTÍNUO - o lá está ligado ao cá; mover-me ali é como mover-me aqui.


F. de Holanda, De Aetatibus Mundi Imagines (c. 1543-1573), fol. 89. No sumário, no início do manuscrito, descreve-se assim o fol. 89: "O autor com o livro das idades que é este / E a malicia do tempo lho come".

TEXTOS:
" [A pintura] põe-nos diante dos olhos a imagem de qualquer grande homem, por seus feitos desejado de ser conhecido; e assi mesmo a fermosura da molher estrangeira, que stá de nós muitas legoas apartada (…). Ao que morre dá vida muitos annos, ficando o seu proprio vulto pintado", Vittoria Colonna, nos diálogos de Da Pintura Antiga (1548), de Francisco de Holanda, edição da Imprensa Nacional, pp. 246-47.

"Quando observamos (…) que os quadros acompanharam a edificação das primeiras arquitecturas, quando não as precederam, compreendemos que apoio deram aos Conselho dos Dez, empenhado em inculcar aos seus compatriotas o sentimento de grandeza da sua cidade. Os Carpaccio e os Bellini (…) estabelecem um elo concreto entre o cenário material da vida quotidiana e as lendas onde os dirigentes quiseram ver a promessa superior de destinos gloriosos. Estas obras engendram a visão de um espaço imaginário", Pierre Francastel, Peinture et Societé, op. cit. na bibliografia, p. 130.

"A perspectiva é, por natureza, uma espada de dois gumes: se cria o espaço que permite que os corpos dêem a impressão de aumentar plasticamente e de possuir movimento, possibilita também a expansão da luz no espaço e a dissolução pictórica desses mesmos corpos. A perspectiva gera distância entre os seres humanos e as coisas (…). Mas, a perspectiva elimina também essa distância, quando faz chegar até ao olhar este mundo de coisas, um mundo autónomo, em confronto com o individuo. Por um lado, a perspectiva submete o fenómeno artístico a leis constantes (…). Por outro, torna esse fenómeno contingente aos seres humanos e mesmo ao indíviduo (…). O pensamento artístico ter-se-á visto confrontado com o problema de encontrar uma forma de levar à prática este método ambivalente. Uma pergunta se impunha (…): deveria a configuração da perspectiva de uma pintura ir ao encontro do ponto de vista factual do observador?

[Fresco, 1465-74, Palazzo Ducale, Mantua, Andrea Mantegna]

(…) Será que, pelo contrário, o observador deveria (e isto seria o ideal) adaptar-se à configuração perspectiva do quadro?

[Tecto da Capela Sistina, 1508-12, Roma, Miguel Ângelo]

Considerada a última situação, outras perguntas se sucedem: Qual a melhor localização do ponto de fuga central no campo do quadro? A que proximidade, ou a que distância, deve ser medida a distância perpendicular? Será de admitir (…) a visão oblíqua do espaço total?

[Virgem na Igreja, c. 1425, Jan Van Eyck]

Em todas estas perguntas, as "reivindicações" (…) do objecto confrontam-se com as ambições do sujeito (…).
Ao transformar a ousia (realidade) em phainomenon (aparência), a perspectiva parece reduzir o divino a simples tema da consciência humana. E, exactamente por esse motivo, a perspectiva alarga a consciência humana e fá-la receptáculo do divino", Erwin Panofsky, A Perspectiva como Forma Simbólica (1927), Lisboa, Edições 70, s.d., pp. 63-67.

Natureza Morta com Crânios, 1895-1900, Paul Cézanne (1839-1906).